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domingo, 12 de setembro de 2010

Tratamento de recessão gengival associada a lesões cervicais

Artigo publicado pela revista Perionews, 2009, de autoria: Viviene Barbosa • Carolina Miranda • Marcelo Rios e Adriano Monteiro. Esse trabalho mostra, através do relato de um caso clínico, uma abordagem combinada de procedimento restaurador e periodontal no tratamento de recessões gengivais associadas a lesões cervicais.



A recessão gengival é definida como o deslocamento apical da margem gengival em relação à junção cemento-esmalte e caracteriza-se pela perda de fibras do tecido conjuntivo periodontal, cemento e osso alveolar, levando à exposição radicular. Quando instalada, além do comprometimento estético, frequentemente leva à hipersensibilidade dentinária e pode ser considerada um importante fator de risco para o desenvolvimento de cáries radiculares e de lesões cervicais não-cariosas.

Diversos fatores estão associados à sua etiologia, como o trauma de escovação, inserção anômala de freios e bridas, mau posicionamento dentário, presença de fenestrações e deiscências, restaurações impróprias e adaptação protética inadequada, movimentação ortodôntica excessiva, doença periodontal e trauma oclusal.

Como a causa das recessões é multifatorial, é necessário que antes da intervenção, para o tratamento das mesmas, estas causas sejam removidas. Além disso, avaliações criteriosas devem ser realizadas quanto ao tamanho da recessão, altura e espessura gengival e altura do tecido ósseo interproximal, para então prever a possibilidade de recobrimento radicular ou contra-indicar qualquer procedimento.

No entanto, existem situações onde a superfície radicular exposta pode exibir cárie, reabsorção ou ainda lesão cervical não-cariosa. A presença isolada dessas alterações pode ser resolvida com restaurações, tais como resina composta e cimento de ionômero de vidro. Todavia, quando presentes concomitantemente com a recessão gengival, pode requerer terapia cirúrgica periodontal associada à terapêutica restauradora.

A escolha do tratamento apropriado para esta condições se baseia em características como o tamanho e sua relação com a margem gengival. Condições subgengivais das margens destas lesões podem dificultar o tratamento restaurador.

Por outro lado, a profundidade da lesão pode contraindicar a terapia mucogengival. Uma lesão excessivamente profunda pode dificultar a adaptação do tecido mole sobre a raiz e a nutrição do enxerto pode ser prejudicada pela formação de um coágulo extenso entre a superfície radicular e o tecido enxertado, o que poderá resultar em insucesso do procedimento cirúrgico.

Além disso, diante destas situações, caso o restabelecimento somente da lesão dentária com uma restauração adesiva seja a terapia escolhida, a recessão será mantida, podendo criar uma desarmonia estética. Por outro lado, como muitas vezes as lesões cervicais atingem tanto a porção coronária quanto à raiz do dente, a resolução da recessão somente com a cirurgia mucogengival, pode tornar o completo recobrimento pelo tecido gengival de difícil previsibilidade, podendo levar a um diagnóstico errado de falha na cirurgia de recobrimento. Sendo assim, nesses casos, melhores resultados estéticos e funcionais podem ser obtidos combinando procedimentos restauradores e periodontais.

Entretanto, para haver uma interação adequada entre a restauração e os tecidos periodontais, se faz necessário que os preparos, o acabamento e polimento das restaurações sejam realizados dentro de alguns princípios técnicos, para assim poder minimizar as possíveis complicações periodontais.

Não é o material restaurador, por si só, o responsável pelas variadas alterações patológicas ocorridas nos tecidos periodontais. A reposta inflamatória gengival aos procedimentos restauradores é dependente da presença de fatores irritantes locais advindos da incorreta reprodução das características morfológicas dentais. Irregularidades no acabamento cervical das restaurações constituem fatores de retenção de placa bacteriana dos mais significativos e frequentes.

No que diz respeito à escolha do material, algumas características, principalmente quanto à adesão, polimento, acabamento final e biocompatibilidade dentária e com os tecidos periodontais, devem ser levadas em consideração.

Alguns trabalhos têm demonstrado sucesso utilizando materiais ionoméricos resinosos e resinas compostas em regiões subgengivais. O cimento de ionômero de vidro apresenta algumas vantagens bastante satisfatórias como a baixa contração de polimerização, biocompatibilidade com o tecido dental e periodontal e a capacidade de liberação de flúor, embora apresente baixa capacidade de polimento. Já as resinas compostas, em especial, as microparticuladas e as nanoparticuladas, apresentam uma lisura superficial e um polimento satisfatório, o que leva a uma menor aderência de placa e mínima inflamação aos tecidos periodontais.



Artigo na Integra na Revista PerioNews 2009;3(5):353-8

Um comentário:

  1. Viviene Barbosa, parebéns por ter passado no mestrado em periodontia da unicamp!!!
    Sucesso ! Que Deus te abençoe!!!

    bjs

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