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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Tratamento cirúrgico do defeito do rebordo para otimizar o perfil de emergência em implantes osseointegrados


Artigo publicado na Revista Implantnews (2007;4(3):279-84) pelos autores: José Carlos Curvelo de O. Jr; José Cássio de almeida Magalhães; Gabriela Traldi Zaffalon; Henrique Smanio Neto e Silvia Maria Anselmo


RESUMO

A concavidade no rebordo alveolar dificulta a estética em próteses sobre implantes e, frequentemente dá a impressão de que as próteses estão sobre o topo do rebordo, pois as eminências que existiam no processo alveolar da maxila que recobriam as raízes desapareceram com as perdas das mesmas. O objetivo desse trabalho é relatar um caso clínico cirúrgico com enxerto de conjuntivo no rebordo alveolar da maxila para melhorara o perfil de emergência em implantes osseointegrados.

INTRODUÇÃO


A visão do cirurgião-dentista deverá estar voltada não só para os aspectos biológicos e biomecânicos da osseointegração, como também para a localização protética otimizando a estética no implante; com isso, o planejamento e a execução cirúrgica para colocação do implante deverá priorizar a estética.
A expectativa de um resultado mais próximo possível a um dente natural, com a prótese emergindo de uma mucosa com contorno, cor, textura e posição igual ao periodonto dos dentes adjacentes, torna-se uma das principais exigências dos pacientes que se submetem a uma reabilitação através dos implantes osseointegrados.
Alguns fatores devem ser observados antes do início do tratamento: volume de tecido necessário para eliminar a deformidade do rebordo, tipo de enxerto ou implante a ser utilizado, localização do sítio doador do enxerto, número e tempo entre vários procedimentos do tratamento, desenho da prótese provisória, tecido desejado, desenho do guia cirúrgico, possíveis problemas com descoloração do tecido e obtenção da cor do tecido desejado.
A técnica da tunelização subperiosteal é indicada para corrigir defeitos de Classe I pequenos, moderados e amplos; porém, o paciente pode possuir um tecido mucoso fino no palato que será insuficiente para fornecer o volume necessário de tecido doador para preencher a deformidade, nestes casos, enxertos ósseos ou de substitutos do osso podem auxiliar na restauração do contorno do rebordo.
CASO CLÍNICO


Com o objetivo de conseguir uma espessura maior do tecido gengival e melhorar a emergência da prótese sobre o implante, após ter sido feita a implantação, foi proposto à paciente o enxerto de tecido conjuntivo subgengival (técnica da tunelização).
A paciente apresentava defeito de rebordo Classe I na área de incisivo central superior direito (Figura 1). Após anestesiada, na área receptora foram realizadas duas incisões horizontais. A primeira na crista vestibular do rebordo (Figura 2),e realizado o aprofundamento desta incisão até o fundo de vestíbulo dividindo o retalho mucoperiósteo (Figura 3). O mesmo foi afastado para preparar o espaço para receber o enxerto conjuntivo. Realizou-se a mensuração da profundidade (Figura 4) para a localização da segunda incisão no fundo de vestíbulo (Figuras 5 e 6). A área doadora de eleição foi à região da abóboda palatina. Nela foi feita uma incisão profunda e perpendicular ao longo do eixo dos dentes, entre a região distal do primeiro molar e mesial do canino, distante 3 mm do sulco gengival (Figura 7). Em seguida realizou-se uma manobra cirúrgica dividindo o tecido conjuntivo do epitélio em direção apical e incisando nas laterais e apicalmente do retalho (Figuras 8 e 9). Foram descolados o periósteo com o conjuntivo conseguindo a soltura e a remoção do mesmo (Figura 10). O osso palatino foi recoberto com o tecido epitelial dividido remanescente para que houvesse proteção (Figuras 11 e 12).


Foram passados dois fios de sutura no enxerto conjuntivo, um em cada extremidade, para levar o enxerto à posição interposta (Figuras 13 e 14), para isso em uma das extremidades prendeu-se uma agulha “tipo passa fio” para que pudesse transpassar o fio de sutura através da cavidade subepitelial (do leito receptor) e levar este fio de sutura até o fundo de saco podendo, assim, tracionar por uma das extremidades o enxerto à aposição no leito receptor. Os fios de sutura controlam o tecido semelhante às cordas de uma “marionete” ajudando no melhor posicionamento na área receptora (Figura 15).

Após o enxerto de tecido conjuntivo estar devidamente posicionado no leito cirúrgico foi estabilizado por um ponto simples na região mediana (Figura 16), e os fios de tracionamento removidos. Finalmente, realizou-se as suturas das incisões horizontais, fechando a loja cirúrgica (Figura 17). Após dez dias as suturas foram removidas (Figuras 18, 19 e 20). Após 90 dias foi feita a reabertura do implante (Figuras 21, 22, 23 e 24), observando-se que este procedimento foi bem-sucedido, pois restabeleceu o contorno do processo alveolar da área comprometida.

CONCLUSÃO


A técnica foi válida, pois foi bem indicada. Apesar dos vários estudos existentes, mais pesquisas serão necessárias para determinar qual a melhor técnica para obtenção de conclusões definitivas quanto à real necessidade e à aplicabilidade clínica da manipulação de tecidos moles para otimizar a estética em implantes osseointegrados.

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