O blog tem o intuito de divulgar notícias, eventos e trabalhos científicos na área de Odontologia, além de contribuir para a discussão de casos clínicos e troca de experiências entre os profissionais interessados nas áreas de Periodontia e Implantodontia. Assim, contamos com a participação de todos para tornarmos este blog um ponto de encontro e de crescimento profissional.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

XXIV Congresso Brasileiro de Periodontologia



Aconteceu nos dias 25 a 28 de maio de 2011, no Bahia Othon Palace Hotel, o XXIV CONBRAPE – Congresso Brasileiro de Periodontologia. Um evento promovido pela SOBRAPE – Sociedade Brasileira de Periodontologia, em paralelo com o 9º Congresso internacional de Halitose da ISBOR – International Society for Breath Odor Research. O evento foi uma oportunidade ímpar para veiculação e discussão da pesquisa mundial, sobre o tema geral “Avanços em Periodontia e Implantodontia – Paradigmas e Desafios”, asseguradas pelo nível de excelência dos ministradores convidados, nacionais e internacionais. O encontro permitiu, também, efetuar intensa divulgação dos avanços tecnológicos do setor, criando oportunidades para que a indústria e o comércio odontológicos, do Brasil e Exterior, pudessem mostrar o desenvolvimento de novos produtos e serviços. Confira algumas fotos do evento.

Palestra sobre Engenharia Tecidual, ministrada pela Profª Drª Karina Gonzales

Prof. Dr. Antônio Wilson Sallum ministrando sobre Hipersensibilidade Dentinária  (esquerda) e Profª Drª Karina Gonzales em palestra sobre Engenharia Tecidual




Dr. Adhemar Esteves, Dr. André Moreira, Drª Viviene Barbosa e Dr. Jorge Filho
Prof. Dr. Renato Casarin, Profª Drª Ana Paula Colombo e Prof. Dr. Mário Taba
1. Dr. Bruno Ribeiro (Implantodontista) e Dr. Alex Guedes; 2. Drª Viviene Barbosa, Dr. Alex Guedes e Drª Alinne Grassi  (Implantodontista); 3. Dr. Alex Guedes e Drª Viviene Barbosa


quarta-feira, 25 de maio de 2011

Atendimento odontológico ao portador do HIV: medo, preconceito e ética profissional

Neste artigo de 2001, publicado pela Rev Panam Salud Publica/Pan Am J Public Health , pelos autores José Augusto César Discacciati e Ênio Lacerda Vilaça . O objetivo do presente estudo foi levantar, mediante revisão da literatura, alguns aspectos éticos envolvidos no atendimento odontológico a pacientes HIV soropositivos ou com aids e apresentar os resultados de alguns trabalhos conduzidos na FOUFMG.
 

Desde o surgimento das profissões de saúde, como em outras áreas do saber humano, a ética é colocada como um pilar do comportamento profissional. Foi com Hipócrates (460–377 a.C.) que a ética médica começou a ter certa projeção, numa época em que a Odontologia ainda se vinculava à Medicina.
Com  a  criação  das  faculdades  de  Odontologia, surgiu  a necessidade de um código de ética para regulamentar os direitos e deveres tanto de profissionais quanto das entidades ligadas à prática odontológica . No Brasil, o Conselho Federal de Odontologia elaborou o Código de Ética Odontológica (CEO), que orienta os integrantes da classe a seguirem uma conduta moral recomendável e estabelece punições aos infratores de suas normas. São preceitos éticos, adequadamente contemplados no CEO, exercer a profissão sem discriminação de qualquer forma ou pretexto (capítulo I, artigo 2°) e zelar pela saúde e dignidade do paciente (capítulo III, artigo 4°, inciso  III)    entendendo-se,  obviamente, saúde no seu senso lato, não restrito aos aspectos odontológicos. Isto  vem  ao  encontro da  constituição brasileira, que preconiza que todos têm direito adquirido e inalienável à saúde.
Dentre as questões éticas e legais emvolvidas na prática odontológica, vêm sendo objeto de dúvida a conduta a ser seguida frente a indivíduos que se apresentam com determinadas patologias como os portadores da síndrome da imunodeficiência adquirida (a i d s), um dos maiores  e mais  graves   problemas  sociais e de saúde pública já enfrentados pela humanidade.

A velocidade com que a aids se disseminou, a severidade com que os pacientes são atingidos e o potencial de letalidade da doença preocupam não só pessoas diretamente afetadas, mas todas as camadas da sociedade. Essa preocupação também resulta, prova-elmente,  da  forma  como  a  mídia identificou  e  classificou  tal  doença: mistério médico, câncer gay, peste gay, pneumonia de homossexuais e castigo divino. Desde o início, a  aids foi tratada como um mal capaz de dizimar populações inteiras.
As pessoas infectadas pelo vírus  da imunodeficiência humana (HIV), agente etiológico da  aids, semelhantemente aos leprosos e tuberculosos, no passado, sofrem não só com a angústia de uma doença grave, mas também com o preconceito e a discriminação por parte de amigos, familiares e profissionais de saúde . Jornais, revistas, a rede de saúde e o próprio profissional de saúde às vezes se referem ao portador do HIV como “aidético”, palavra que carrega preconceito e discriminação. Tal denominação acaba por agrupar em espécie um grupo de pessoas marginalizadas.
O medo de ser soropositivo ou de ter  aids está associado ao fato de ser esta  doença  considerada  incurável, com prognóstico sombrio e fatal. Na verdade, as palavras HIV e aids estão diretamente associadas à morte (aids =morte). Além disso, em decorrência  dessa  “morte  anunciada”,  o portador do vírus da  aids está sujeito também à “morte civil”, representada pela redução de seus direitos de cidadania, motivada por demissão do emprego,  discriminação,  isolamento  e preconceito . Os médicos e psicólogos que trabalham sistematicamente com pacientes HIV soropositivos ou com aids relatam que, quando tais pacientes são adequadamente acolhidos (familiar, profissional e socialmente), a sua sobrevida é maior em relação aos indivíduos marginalizados.
Devido às suas características de transmissibilidade, a aids acabou provocando uma verdadeira revolução na área de saúde, através de mudanças repentinas nos procedimentos de controle de infecção que anos de educação não haviam até então conseguido. No entanto, vários estudos concluíram que a infecção por HIV é um problema menor para a equipe odontológica do que a infecção pelo vírus da hepatite B (HBV) (13–15). Pesquisas têm confirmado que o HIV tem baixíssima infectividade, sendo facilmente destruído.  Segundo alguns autores, desde que medidas universais de precaução sejam aplicadas, o risco de infecção pelo HIV durante um atendimento  odontológico  é  praticamente zero. O fato de o profissional saber que um paciente está infectado pelo HIV, ou que tem comportamento de risco para a infecção, deve encorajá-lo a ser mais cuidadoso, porém sem excessos. Na verdade,  os  profissionais  de  saúde devem considerar todos os pacientes como potencialmente infectados, sendo que  os  procedimentos  de  biossegurança devem ser adotados como rotina em todo e qualquer atendimento, indiscriminadamente.

Apesar do baixo risco de contaminação, vários estudos vêm relatando medo  e  ansiedade  entre  cirurgiões-dentistas frente a pacientes infectados pelo HIV, fazendo com que alguns preceitos éticos sejam violados.
DISCRIMINAÇÃO, MEDO E DESINFORMAÇÃO

O atendimento a indivíduos HIV soropositivos ou com  aids, mais do que uma realidade no contexto atual da prática odontológica, é um imperativo ético. Sem dúvida, as questões trazidas pela  AIDS impõem novas obrigações profissionais e desafios éticos. Basicamente, todas as questões éticas envolvidas no atendimento a pacientes com HIV ou aids estão, de alguma forma, relacionadas à discriminação sofrida pelos mesmos.
Muitos estudos relatam a dificuldade dos pacientes com HIV ou  AIDS em  conseguir  atendimento  odontológico quando revelam seu estado de soropositividade  ao  profissional,  ou quando  apresentam  sinais  clínicos  da doença. Segundo relato de indivíduos  infectados,  a  recusa  de atendimento por parte de cirurgiões-dentistas é mascarada por argumentos técnicos  ou  outro  tipo  de  esquiva.
Muitos profissionais criam situações que impedem o início ou a continuidade do tratamento ou encaminham o paciente a outro profissional sem motivo justificável. O orçamento com valores aviltantes é outro recurso utilizado para inviabilizar o atendimento Sabe-se que, do ponto de vista ético e legal, tais atitudes são discriminatórias, constituindo-se em infrações éticas, previstas também nos foros cível e criminal. Embora tais condutas possam parecer uma boa alternativa para aquele profissional inseguro, são ilógicas, pois a maioria dos indivíduos HIV soropositivos não apresentam sinais da infecção; tais pacientes têm potencial para transmitir o vírus, mesmo não apresentando sinais clínicos. Além disso, o medo de reações negativas por parte do cirurgião-dentista tem levado muitos indivíduos a omitirem sua condição de portadores do HIV

Vários estudos têm sido realizados entre cirurgiões-dentistas com a finalidade de avaliar a disposição em atender indivíduos portadores de HIV ou aids. Observa-se que, no início da epidemia, poucos profissionais estavam dispostos a atender tais pacientes. Isso pode ser explicado  pelo  medo  do desconhecido, diante de uma “nova” doença. Com o passar dos anos, houve um aumento gradativo, porém não linear, no índice de disposição, evidenciando maior  conscientização dos profissionais e uma adequação nas medidas de biossegurança. No entanto, pesquisas em andamento têm observado que a discriminação continua existindo, embora de forma mais velada.
Feltrin  comenta que os cirurgiões-dentistas brasileiros são desinformados, temerosos e despreparados para atender pacientes HIV soropositivos. Recentemente, estudos conduzidos na Cidade de Belo Horizonte também concluíram que ainda é grande o número  de  cirurgiões-dentistas  que não se mostram dispostos a atender  portadores de HIV ou  aids

RELAÇÃO COM OUTROS PACIENTES
A falta de preparo psicológico e o medo  da infecção podem ter  várias origens, uma delas a própria representação  social  da  a i d s,  que,  desde  o  início  da  epidemia,  afeta  negativamente  tanto  a  população  quanto os  profissionais  de  saúde.  Por  outro lado, a  preocupação  com a  perda  de  outros  pacientes  pode ter  algum  fundamento . Discacciati et al. observaram que 43%  dos indivíduos entrevistados não continuariam a se tratar com seu cirurgião-dentista se soubessem que o mesmo atendia pacientes com  a i d s. No entanto, a maioria dos pacientes  que  eram  atendidos  por profissionais  que  trabalhavam  sob ótimas  condições  de  higiene,  sob  o ponto de vista do próprio paciente, se mostraram dispostos a  continuar seu tratamento mesmo sabendo que o  cirurgião-dentista  atendia  pacientes  com   a i d s.  Em  contrapartida,  nenhum  dos  entrevistados  que  classificou o  atendimento  recebido  como péssimo  ou  regular,  em  relação  às condições de higiene, continuaria seu tratamento com o mesmo cirurgião-dentista, caso este atendesse pacientes com a i d s.

Como  os  pacientes ainda  se  mostram muito preocupados com a possibilidade de contrair o HIV no consultório  odontológico,  ensiná-los  sobre as  formas  corretas  de  minimizar  os riscos de infecção cruzada parece ser uma  boa  conduta  a ser  incorporada na prática diária. De forma tranqüila e racional, o cirurgião-dentista deve conversar e educar seus pacientes, de forma a contribuir para o combate  à  “epidemia  de  medo”  que acompanha  a  a i d s.  Além  disso,  esse processo educativo evidenciaria a importância da adoção de barreiras de proteção, pois os pacientes têm observado e aprovado essa conduta. O bom relacionamento  entre  as  partes  é  fator importante  para  que  o  cirurgião-dentista esteja preparado para o atendimento  de  pacientes  portadores  de HIV ou  a i d s.
A OPINIÃO DOS PACIENTES INFECTADOS

Outros estudos têm avaliado a opinião de pacientes infectados pelo HIV. Lopes et al.  entrevistaram 222 pacientes HIV soropositivos em quatro grandes centros de atendimento médico-odontológico e de apoio a essa população. As entrevistas foram conduzidas a fim de avaliar as experiências  odontológicas  desses  pacientes antes e depois da infecção. Entre os entrevistados que revelaram sua soropositividade ao cirurgião-dentista (54%), a maioria (55%) teve tratamento negado, sendo que 33% mais de uma vez. Dentre os pacientes que tiveram tratamento negado, o sentimento predominante foi o de humilhação (56%). Outros se sentiram revoltados (25%) e alguns disseram já estar acostumados (19%). Um dado interessante foi que não se observou mudança estatisticamente significativa no uso do equipa-mento para proteção individual (EPI) quando o paciente continuou sendo atendido pelo  mesmo  profissional, após a revelação do diagnóstico de soropositividade.  Os autores observaram também que, após se tornarem infectados, muitos pacientes não procuraram atendimento odontológico ou não revelaram seu estado sorológico ao  cirurgião-dentista,  por  medo  de terem tratamento negado. Outros recorreram a centros especializados pelo mesmo motivo.
HONORÁRIOS, HORÁRIO  E SIGILO
Outra questão ética é a cobrança de honorários diferenciados para pacientes portadores de HIV ou  aids. A cobrança de preços exorbitantes como forma de inviabilizar o tratamento ou, ainda, de tirar proveito da situação, é uma violação dos preceitos éticos. O CEO relaciona algumas variáveis que devem ser consideradas na fixação dos honorários profissionais, entre as quais não se encontra o estado de soropositividade para o HIV ou qualquer tipo de enfermidade.
Há relatos também de imposição de horários  especiais  para  atendimento  a  pacientes  infectados  por  HIV. Porém, essa conduta não pode ser considerada discriminatória, uma vez que é  prevista  em alguns  protocolos, que recomendam  que  pacientes  sabidamente infectados, seja por HIV ou HBV, sejam atendidos no final do expediente, quando  a  equipe  odontológica  terá mais tempo para os procedimentos de desinfecção do equipamento.
Uma última questão a ser levantada é a obrigatoriedade do sigilo em relação  ao  s t a t u s sorológico  do  paciente. Segundo Ferreira, o segredo ou sigilo profissional é o dever ético que impede a revelação de assuntos confidenciais ligados à profissão. O resguardo do segredo profissional é um direito do paciente e um dever da equipe odontológica, constituindo infração ética a sua revelação  sem  justa  causa.  Entre  outras, compreende-se como justa causa a notificação compulsória de doença, colaboração com a justiça nos casos previstos em lei e revelação ao responsável pelo incapaz.
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES

Não se pode ignorar que a aids vem se constituindo ao longo dos anos em uma doença do medo. Após duas décadas convivendo com esta que é, sem dúvida, uma grande ameaça para a raça humana, alguns pontos se tornaram bastante claros no que diz respeito à biossegurança e ao atendimento a indivíduos infectados por HIV. Em primeiro lugar, deve-se frisar que todo e qualquer indivíduo deve ser tratado como potencialmente infectado, uma vez que é impossível diferenciar clinicamente pacientes infectados assintomáticos dos não infectados. O  protocolo  de  biossegurança  para atendimento em consultórios odontológicos,  aperfeiçoado  ao  longo  dos anos, tem demonstrado ser eficaz na prevenção da infecção pelo HIV.  O segundo ponto a ser considerado é a questão do próprio respeito ao indivíduo infectado que, numa fase da vida em que pode se apresentar física e  psicologicamente  abalado,  merece um atendimento digno, onde devem imperar a empatia e a solidariedade.
Em relação ao tratamento a ser instituído a pacientes infectados por HIV, afirmam Senna et al.  que o mesmo deve abranger duas vertentes: o tratamento tradicional, que visa controlar as formas mais comuns de doenças bucais, além de prover orientação para os cuidados de higiene bucal; e o tratamento específico, que aborda as manifestações bucais que a infecção pelo HIV provoca.

Para  Samico  et  al.,  caso  o cirurgião-dentista  seja  procurado por  um  paciente  comprovadamente infectado  pelo  HIV  ou  que  tenha  a i d s, o mesmo deve adotar uma das seguintes  condutas:  em  caso  de  urgência, o profissional deve atender o paciente normalmente, dentro dos limites de sua atuação. Caso não seja uma urgência, ou após a mesma ter sido debelada, o profissional poderá atender  normalmente  se  a  necessidade  do  paciente  estiver  dentro  do escopo  de  sua  atuação  profissional, ou encaminhá-lo imediatamente para acompanhamento em um serviço especializado,  seja  ele público ou  pri- vado. O importante e ético é que não se  negue  atendimento  única  e  simplesmente por ser o paciente um portador do HIV ou da a i d s.
Diante do medo de ser descoberto, através de sinais corporais, como perda de peso e alterações na pele, e ser considerado inabilitado para a aceitação social plena, o indivíduo portador do HIV vive, muitas vezes, a redução de seus atributos e a impossibilidade de se re- lacionar social e profissionalmente. Pacientes HIV soropositivos ou com a i d s devem  ser  atendidos  sobretudo  com ética, levando-se em consideração sua condição imunológica e  psíquica. Garantir acesso  aos serviços odontológicos,  oferecendo  programas  de  educação e prevenção de doenças bucais é fundamental para garantir uma melhor qualidade de vida de indivíduos HIV soropositivos ou com a i d s. O profissional deve manter um bom relacionamento com o paciente, para que este se sinta seguro e não omita nenhuma informação que possa interferir no tratamento. É importante que o paciente tenha certeza do sigilo das informações prestadas.

Faz-se  necessário  alertar  as  instituições de ensino  superior quanto ao papel que lhes compete, respondendo pela formação científica e garantindo a base fundamental para a formação de profissionais  de  saúde  conscientes de suas obrigações legais e éticas.
Deve-se ressaltar que há muitos outros pontos envolvidos na discussão sobre Odontologia e aids. O cirurgião-dentista, embora tenha conhecimento científico, apresenta também confron- tos  pessoais  e  limitações  humanas. Sabe-se que é muito difícil mudar preconceitos, estigmas e crenças. A história da  aids extrapola as fronteiras da ciência médica, expõe as fraquezas hu- manas e os conflitos morais e se reflete no profissional enquanto indivíduo.

Como  pondera Pollak , a  Medicina  curativa  muitas  vezes  é  impotente, apesar da rapidez das descobertas;  coloca  à  disposição  da coletividade a possibilidade de saber quem está ou não infectado, mas nem sempre  oferece  um  remédio  eficaz. Assim,  faz-se  necessário  criar  caminhos  a  fim  de  resgatar  a  cidadania dos indivíduos portadores do HIV. É hora de partirmos para práticas concretas no sentido de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, sobretudo promovendo saúde.

domingo, 22 de maio de 2011

MÁRIO QUINTANA



“Se Eu Fosse Um Padre”


Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
- muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma
… a um belo poema – ainda que de Deus se aparte -
um belo poema sempre leva a Deus!

 MÁRIO QUINTANA

sábado, 21 de maio de 2011

PERIO-ONLINE NOTÍCIAS

O que vem sendo destaque no mundo da Odontologia!!

Polêmica Casas Bahia:

Autor da polêmica foto na Casas Bahia fez a 
denúncia em 4 de março


Depois da grande repercussão que uma propaganda do plano de saúde oferecido pela Casas Bahia, o autor da polêmica foto que circulou pelas redes sociais da internet foi finalmente identificado. Trata-se do cirurgião-dentista Sérgio Ourique, professor de prótese da Universidade Guarulhos (UNG), que contou com exclusividade ao site Odonto1.com a história completa de sua denúncia.
Ourique relata que a imagem foi captada no início de março, na cidade de São Paulo (SP). Ele conta que entrou em uma loja da Casas Bahia situada na Praça Ramos de Azevedo, na região central da cidade. Ao conversar com um vendedor da loja, notou que em cada mesa dos muitos funcionários havia um display semelhante ao que foi fotografado por ele. Indignado com a comparação de valores apresentada na propaganda, Ourique pediu mais informações ao gerente da loja, porém, sem se identificar como cirurgião-dentista.
"Perguntei ao gerente se o plano odontológico era só para funcionários, e ele me respondeu que era para toda a população. Quis saber como eles tinham chegado àqueles valores, e ele falou que a empresa havia feito uma pesquisa de mercado". Com essa explicação, o gerente ofereceu o plano odontológico ao cirurgião-dentista. Num momento de distração dos vendedores, Ourique fotografou o display com seu aparelho celular.
No dia seguinte, em 4 de março, o cirurgião-dentista enviou um e-mail com a imagem para colegas e para diversas entidades odontológicas: Conselho Federal de Odontologia (CFO),  Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp), Associação Paulista dos Cirurgiões-Dentistas (APCD) e Sindicato dos Odontologistas do Estado de São Paulo (Soesp). De acordo com Ourique, até a tarde desta sexta-feira (13 de maio), nenhuma das entidades apresentou uma resposta.
cirurgião-dentista afirma que com o envio da foto para os colegas e as entidades pretendia que acontecesse algum tipo de mobilização. "Não fiz isso por mim, e sim pelos meus alunos e pelos que estão ingressando agora na Odontologia. Essa situação é triste para a área" lamenta Ourique. "Esse tipo de abordagem agressiva e comercial é inaceitável".
O display de mesa fotografado por Sérgio Ourique anunciava um plano odontológico comercializado pela Casas Bahia  e comparava os valores de seu plano com preços que supostamente seriam a média do mercado. A propaganda vem causando indignação em toda a classe odontológica.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Mini-Implantes - Um Guia Teórico-prático de Instalação e Biomecânica ao Ortodontista e Implantodontista

Sugestão de livro


Autor: Luciano Ladeia Jr. / Luiz Eduardo Ladeia
Ediçao: 1a / 2011
Número de páginas: 412
Formato: 21 x 28 cm
Editora: Napoleao
ISBN: 9788560842230



Sumário
Capítulo 1 – Conceitos aplicados ao uso dos mini-implantes

Capítulo 2 – Instrumentais
Capítulo 3 – Características e tipos de mini-implantes
Capítulo 4 – Planejamento clínico: anatomia periodontal aplicada
Capítulo 5 – Imaginologia aplicada ao planejamento dos mini-implantes
Capítulo 6 – Procedimentos cirúrgicos para instalação dos mini-implantes: considerações técnicas e anatômicas por sítio de instalação
Capítulo 7 – Possibilidades biomecânicas com o emprego dos mini-implantes
Capítulo 8 – A segmentação dos arcos e a mecânica seccional
Capítulo 9 – Técnica de remoção dos mini-implantes
Capítulo 10 – Fatores associados ao insucesso no uso dos mini-implantes: erros problemas e complicações
Capítulo 11 – Guia de prontuário clínico para mini-implantes
Capítulo 12 – Resumo de protocolos clínicos
Capítulo 13 – Miniplacas: método não invasivo
Capítulo 14 – Pérola lingual: o “joystick” para a língua
Capítulo 15 – Utilização de mini-implantes na cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial: bloqueio intermaxilar em ortognáticas e em traumas de face










sábado, 14 de maio de 2011

Recobrimento radicular com associação de procedimentos plásticos e regeneratinvos - Relato de caso

Artigo publicado na Revista Dental Press Periodontia Implantol, Maringá (v.1, n.3, p.65-73, jul/ago/set 2007) pelos autores Paulo Fernando Mesquita de Carvalho, Robert Carvalho da Silva e Julio Cesar Joly.

INTRODUÇÃO

A Periodontia mudou o seu enfoque nos últimos anos, deixando de preocupar-se exclusivamente com a prevenção e o tratamento das doenças e passando a buscar alternativas efetivas para a reconstrução dos tecidos perdidos.
A recessão gengival é definida como a migração apical da margem gengival em relação à junção cemento-esmalte (JCE). Sem dúvida alguma, a presença de recessão gengival torna o sorriso menos atraente, representando uma queixa freqüente dos pacientes. No entanto, sua presença também pode estar associada a problemas funcionais como a hipersensibilidade cervical, lesões cervicais cariosas e não cariosas e maior probabilidade de acúmulo de biofilme. As recessões podem acometer dentes isolados ou grupos de dentes adjacentes. Segundo Baker e Seymour, a etiologia dessas lesões está associada à inflamação produzida por acúmulo de biofilme ou por trauma de escovação, sendo encontrada em populações com alto e baixo índice de higiene bucal. Existem várias técnicas com o objetivo de recobrir a superfície radicular, e a previsibilidade
delas está principalmente associada à altura do osso proximal. Outros fatores, como quantidade de gengiva queratinizada, espessura gengival, presença/ausência de lesões cervicais, altura e largura das papilas podem influenciar na decisão da técnica mais apropriada para o recobrimento das raízes expostas. Da Silva et al. observaram que a mesma quantidade de recobrimento radicular pode ser alcançada com o retalho colocado
coronal (RCC) associado ou não ao enxerto subepitelial de tecido conjuntivo (ESTC), no entanto, se o aumento das dimensões gengivais (quantidade de gengiva queratinizada e espessura gengival) for desejável, a técnica combinada deve ser usada. Incisões verticais relaxantes são freqüentemente usadas para favorecer a elongação coronal do retalho, diminuindo sua tensão, que pode interferir com a estabilidade inicial da margem gengival e prejudicar o potencial de recobrimento. Técnicas regenerativas utilizando materiais de preenchimento, membranas e proteínas derivadas da matriz do esmalte podem ser associadas aos procedimentos plásticos periodontais, modificando o padrão de relacionamento entre a parte interna do retalho e a superfície radicular, e favorecendo a formação de novo osso, cemento e ligamento periodontal.

No caso clínico apresentado, o paciente do gênero masculino, com 40 anos de idade, melanoderma e com boa saúde geral, procurou atendimento com queixa de insatisfação estética e halitose. Ao exame clínico constatou-se doença periodontal crônica em alguns sítios e a presença de uma recessão gengival isolada no dente 23 (classe II de Miller). Devido à extensão da superfície radicular exposta, o planejamento cirúrgico considerou a terapia em 2 etapas. O primeiro procedimento foi realizado utilizando o retalho posicionado coronal, com o desenho das incisões propostas por Pini Prato et al. associada à RTG. Após 3 meses foi conduzido o segundo procedimento, utilizando uma nova abordagem denominada técnica em “L”. O acompanhamento clínico e radiográfico após 3 anos demonstra a manutenção da estabilidade tecidual, sugerindo efetividade funcional e estética da associação das terapias plástica e regenerativa.






 

domingo, 8 de maio de 2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Entrevista com o Dr. Wendel Shibasaki

Prezados amigos,
dando continuidade às entrevistas, entrevistarei o Dr Wendel Shibasaki, especialista em ortodontia e perito oficial do Estado da Bahia.

      1. Dr. Wendel, conte-nos um pouco da sua carreira acadêmica e profissional?

Saudações Dr. Alex.
Antes, porém, tenho que agradecer o convite para ser o entrevistado da vez no seu blog. Aliás, não posso deixar passar esta oportunidade de parabenizar você pelo empenho na árdua (mas prazerosa) tarefa de manter um blog atualizado. 

Minha carreira poderia ser dividida em quatro vertentes: Ortodontia, Genética forense, Odontologia-Legal e Docência.

Bom, minha carreira começa quando tive a oportunidade única de prestar vestibular na UFBA. Aprovado, participei de uma turma realmente premiada. Muitos dos colegas são professores das tantas outras faculdades que se abriram com o tempo. Ao sair da faculdade fui aprovado no concurso de perito Odonto-Legal do estado de Ala goas. Paralelamente, montei um modesto consultório na periferia de Salvador, onde fui obtendo experiência profissional enquanto cumpria os plantões em Maceió aos finais de semana. Ingressei nos cursos de ortodontia no CEBEO, Salvador. Após 6 anos, obtive o título de especialista. Fui aprovado no concurso de perito Odonto-Legal da policia baiana, a qual me proporcionou capacitação em genética forense. Área na qual me dedico sobretudo às análises de STRs de DNA autossômico e sequenciamento de DNA mitocondrial.
Montei, em sociedade com Dr. Joaquim Dultra, a clinica Oi-Odontologia Integrada (www.oiodontologiaintegrada.com). Ocupando o cargo de responsável técnico e de ortodontista. Sempre atuei focado na ortodontia para adultos, apesar de ter a oportunidade de tratar algumas crianças.

Desenvolvendo essas atividades, ainda me restou tempo para iniciar dois blogs: os prestigiados www.ortodontiacontemporanea.com e o www.odontologiaforense.com. O primeiro tornou-se muito conhecido graças a dedicação do Dr. Marlos Loiola que nunca deixou um dia sem atualização. O segundo, de odontologia legal, nasceu durante um curso que realizei na USP. Nesta oportunidade conheci o Dr. Rhonan, perito experiente e professor conhecido, além de amigo pessoal, o qual me pediu ajuda para iniciar um blog sobre o assunto. Minha participação nos dois Blogs é muito menor do que eu gostaria, mas assim o é pela competência dos meus "sócios" que fazem minha ausência passar despercebida.
Evoluindo a idéia do Blog, passamos a produzir o OrtoPodCast. Um programa de áudio quinzenal que traz entrevistas e leitura de artigos por um sintetizador de voz. O primeiro Podcast sobre ortodontia do Brasil. Para ouvir basta fazer o download através do Blog Ortodontia Contemporânea ou, se usuário de Iphone, Ipod ou Ipad, assine gratuitamente na loja da Apple, a Itunes.

Recentemente tive a felicidade de ser convidado para fazer parte da equipe de professores do curso de ortodontia do IAPPEM, em Salvador. Deixo aqui um grande abraço a todos os alunos do IAPPEM.
2 – Qual a importância do prontuário?
A responsabilidade profissional odontológica é o dever que têm os Dentistas de responderem pelos seus atos. Essa responsabilidade pode recair em três esferas, as quais podem ser penais, cíveis e administrativas. No campo penal as sanções podem ser em decorrência de lesões corporais culposas provocadas pelo Cirurgião-Dentista no exercício da sua profissão. Já na esfera cível, onde são tratadas as indenizações devidas pelos que provocam dano material ou moral, pode também o profissional da Odontologia ser condenado a pagar pelos prejuízos causados no exercício de sua arte.  Na esfera administrativa, ocorre a apuração das faltas ético-administrativas que são aquelas que tramitam no âmbito dos Conselhos de Odontologia.
O prontuário Odontológico é o conjunto de documentos ordenados, sistematizados e concisos que permitem ao Cirurgião-Dentista, quando devidamente produzido, comprovar, em qualquer época, que o diagnóstico e tratamento prestados ao paciente foram realizados dentro de padrões técnicos aceitos e recomendados.
Não há como produzir provas após ser comunicado de um processo. Isso deve ser feito dia a dia através de um prontuário completo e assinado.
Há também uma grande importância social nos casos de desastres em massa, quando as identificações podem ser feitas através de comparações entre os achados ante e pós morte. Nos casos de acidentes que envolvam um paciente de um determinado profissional, este será intimado a apresentar o prontuário à polícia, uma vez que é seu dever produzir e guardar este documento.
3 –Fale um pouco sobre documentação digital, é correto?
O desenvolvimento da tecnologia relacionada, com formatos digitais confiáveis, impossibilita a alteração de um documento digital sem deixar vestígios. As fotografias em formatos imutáveis oferecem credibilidade para qualquer esfera. Muitos hospitais e clinicas já adotam a documentação digital como meio de diminuir seus espaços de arquivo. No entanto, antes de decidir adotar esta forma de documentação, o colega deve tomar algumas precauções específicas, como backups diversos.    

4- O que é ortodontia lingual?

É uma técnica ortodôntica na qual se instala o aparelho pelo lado de "dentro da boca" ou face lingual. O desenvolvimento desta técnica tem trazido muitos avanços com relação aos cuidados com o periodonto na região dos incisivos inferiores. Como sabemos, nesta região há um acúmulo maior de cálculo, o que seria uma desvantagem para a técnica. Nos novos modelos as aletas cervicais dos braquetes desta região estão mais altas e o perfil dos braquetes menores, o que facilita a higienização.
Muitos pacientes que utilizam aparelhos vestibulares tem dificuldades em usar fio dental  , uma vez que o fio não alcança a região mais cervical. Com o aparelho lingual o fio dental  avança mais no sentido cervical, o que oferece mais praticidade.
Ao contrário do que se imagina, não causa mais lesões que a técnica tradicional. A língua se adapta com rapidez.
A estética é sem dúvida a maior vantagem da utilização desta técnica, já que não se vê o aparelho durante as funções normais de fala e mastigação. Muitos pacientes adultos tem solicitado esta técnica.

5 –Fale um pouco sobre ortodontia invisível?

A ortodontia estética ou ortodontia invisível é a minha obsessão. Muitos pacientes chegavam na minha clínica para tratamentos reabilitadores (Implantes/próteses) e necessitavam de correções ortodônticas pré-protéticas. Fiz meu trabalho de conclusão da especialização sobre este tema e confeccionávamos planos de tratamento complexos e ao mesmo tempo, bonitos. Mas, rotineiramente, ouvia uma negativa do paciente, por considerar constrangedor usar aparelho ortodôntico após a idade adulta.

Daí segui pesquisando formas de atender esta demanda. Fiz capacitação e credenciamentos nos mais diversos sistemas de alinhadores invisíveis e ortodontia lingual, para poder oferecer as correções ortodônticas, sem que as pessoas do convívio saibam que meu paciente está usando aparelho.
Para este tipo de abordagem chamamos de ortodontia invisível. Apesar, é claro, de não ser totalmente invisível.

6 – Suas considerações finais, por favor.

Agradeço a todos os amigos que me ajudam a desenvolver tantas coisas legais e aos que me permitem ajudar em seus projetos. Fico muito envaidecido pelo convite do BLOG PERIODONTIA, IMPLANTODONTIA E ESTÉTICA e agradeço, mais uma vez, ao Dr. Alex Guedes pelo convite.
Aproveito a oportunidade para convidar todos os interessados para participar das atividades do GEORTO - Grupo de Estudos em Ortodontia da Bahia e disponibilizar meus canais de comunicação para qualquer necessidade: http://www.oiodontologiaintegrada.com/, www.ortodontiacontemporanea.com, www.odontoforense.com


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