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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Características morfológicas e composição química da superfície e da microfenda implante-abutment dos implantes de dois estágios


Artigo publicado pelos autores: Danilo Lazzari Ciotti, Julio Cesar Joly, Robert Carvalho da Silva, Patrícia Ramos Cury. Na revista  Implantnews, em  2007; O objetivo deste estudo foi avaliar, em microscopia eletrônica de varredura e em espectroscopia de dispersão de energia, as características morfológicas e a composição química da superfície dos implantes, e a extensão da microfenda existente entre o componente protético e o implante.

Introdução

O desenvolvimento e o aperfeiçoamento dos implantes dentais trouxeram novas perspectivas para a reabilitação de pacientes parcial ou totalmente desdentados, representando uma opção previsível e com altas taxas de sucesso, comprovada em muitos estudos longitudinais.

O titânio comercialmente puro é o principal material de escolha para confecção de implantes endósseos, apresentando estabilidade química, possibilitando reação tecidual  favorável e estímulo à atividade celular na formação da matriz óssea. Apresenta elevada resistência à corrosão e não provoca reações de hipersensibilidade ou imunológicas. A camada de óxido de titânio é responsável pela adaptação íntima entre o osso mineralizado e a superfície do implante.

A busca pelo aumento da área de osseointegração direcionou as pesquisas ao desenvolvimento de novas configurações e tipos de superfície. Os implantes cilíndricos rosqueáveis proporcionam grande área de contato entre a superfície do implante e o osso adjacente, aumento da estabilidade funcional e transferência adequada de cargas.

Dentre os tratamentos de superfície que visam favorecer a deposição óssea, podemos destacar métodos por adição como o jateamento de plasma de titânio, e métodos por subtração como o ataque ácido e o jateamento de areia grossa. Esses tratamentos provocam aumento da rugosidade superficial, que associadas às características físico-químicas e propriedades do material influenciam na retenção mecânica inicial dos implantes e no aumento da área de contato com o leito ósseo receptor favorecendo a osseointegração.

Os implantes endósseos recobertos pelo retalho apresentam uma microfenda entre o ombro do implante e os componentes protéticos, que não deve ser superior a 20 µm para que possa ser bem tolerada pelo sistema mecânico, sem que haja fraturas ou soltura dos parafusos de fi  xação. A presença e a extensão da microfenda também estão relacionadas com o maior grau de inflamação e supuração periimplantar, provavelmente decorrente da presença de bactérias nessa interface e da micromovimentação do componente protético.

Material e Métodos

Foram utilizados quatro implantes cilíndricos com superfície condicionada por duplo ataque ácido e abutments cônicos que foram adaptados e travados com torque definitivo  de 30 N/cm sobre o hexágono externo, utilizando o torquímetro e as recomendações do fabricante. Os componentes foram sempre manipulados com luvas esterilizadas, sem talco para evitar a contaminação da amostra para a avaliação em EDS.

Para o travamento do abutment sobre o hexágono externo, os implantes foram fixados em morsa com mordentes revestidos por borracha esterilizada. Todos os abutments foram colocados na mesma sessão laboratorial e o conjunto foi mantido em temperatura e umidade ambiente em recipientes fechados até o processamento. Os espécimes foram montados em suportes de amostra (stubs) e analisados em microscopia eletrônica de varredura com voltagem entre 5 e 15 quilovolts (kV). Para a observação da fenda, os espécimes foram posicionados no sentido longitudinal, e a extensão foi medida no aumento de 1500 vezes. As medidas foram obtidas em quatro pontos eqüidistantes ao redor da superfície do conjunto implante-abutment, e repetidas três vezes em cada conjunto, sendo anotadas pelo pesquisador. Os valores foram transformados em média + desvio padrão. Para avaliação em EDS utilizou-se um equipamento acoplado ao MEV.

Resultados

As Figuras 1 e 2 mostram o limite entre a porção rugosa e a porção lisa do implante. É possível notar a qualidade do torneamento do implante, sem a presença de arestas de metal ou irregularidades na superfície (Figura 2).

 
As Figuras 3 e 4 mostram a superfície, em diferentes aumentos, tratada com duplo ataque ácido. A superfície tratada apresenta aspecto de rugosidade regular, que pode auxiliar o processo de osseointegração.

 
As Figuras 5 e 6 mostram a presença da microfenda entre o corpo do implante e o abutment (setas vermelhas), após o torque defi  nitivo de 30 N/cm do parafuso de retenção.
A extensão média da microfenda foi de 2,83 µm.
 
 
Na análise em EDS, podemos observar que os implantes avaliados são confeccionados em titânio, sem presença de contaminantes, tanto na porção lisa quanto na porção rugosa (Figuras 7 e 8). Os gráficos mostram a presença de titânio, oxigênio e carbono, que fazem parte da composição química do titânio comercialmente puro, além da presença de alumínio que é componente químico do suporte das amostras.


Discussão

Um dos grandes objetivos da pesquisa da Implantodontia atual é a busca por um desenho de implante e tratamento de superfície que possa reduzir o tempo de tratamento e aumentar a área de contato entre o osso e o implante. Os implantes avaliados nesse estudo apresentaram superfície composta por titânio puro, sem presença de contaminantes, e que podem formar uma camada de óxido de titânio, que é a responsável pela íntima adaptação entre o osso mineralizado e o implante. Os implantes do nosso estudo receberam tratamento de superfície por duplo ataque ácido, ocorrendo uma modificação micromorfológica da superfície do implante aumentando a área de contato entre o osso mineralizado e o implante. Essa modifi  cação torna a superfície do implante rugosa aumentando a resistência ao torque de remoção e favorecendo a deposição óssea.
Observamos nas Figuras 3 e 4 que o tratamento de superfície produziu rugosidade uniforme, favorável ao aumento da área de contato entre o osso e o implante. Essa rugosidade se inicia na quarta rosca, pois as primeiras roscas provavelmente serão envolvidas na reabsorção óssea inicial (Figuras 1 e 2). Observa-se nitidamente o limite entre a porção rugosa e a porção lisa do implante (Figuras 1 e 2), característico de um controle ideal do ataque ácido.
Os resultado mostraram pequena microfenda entre os componentes dos implantes, com extensão média de 2,83 µm (Figuras 5 e 6). Estes achados são condizentes com alguns autores que encontraram variações entre 2 µm e 9µm e distintos de outros autores que obtiveram microfendas variando de 6,46 µm à 14,57 µm. A presença da microfenda de menor extensão minimiza o efeito da contaminação bacteriana e favorece a estabilidade mecânica dos componentes de retenção desse sistema de implantes.
Conclusões
Podemos concluir com base nos nossos achados que:
• Tratamento de superfície com duplo ataque ácido promoveu rugosidade na superfície do implante.
• Os implantes apresentaram boa adaptação ao abutment, com extensão média da microfenda de 2,83 µm.
• Os implantes são fabricados em titânio puro, sem a  detecção de nenhum tipo de impureza, de acordo com a análise feita

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